PÉ-DE-VENTO

Toda a trajectória artística supõe diversos percursos e etapas.
Em 1978, quando o grupo de teatro Pé de Vento iniciou esta sua
caminhada, sabia onde queria chegar, embora desconhecesse as
encruzilhadas e os obstáculos que teria de ultrapassar.
Com efeito, foi em Fevereiro desse ano que se iniciou a longa
caminhada que faz do Pé de Vento uma das companhias
profissionais de teatro mais antigas e em actividade na cidade
do Porto.
Desde a sua fundação que o Pé de Vento alicerçou a sua direcção
artística num núcleo impulsionador, constituído pelo encenador
João Luiz e pela dramaturgista Maria João Reynaud, a que se
vieram juntar, temporariamente, o escritor Manuel António Pina –
autor representado desde os primeiros espectáculos – e, um pouco
mais tarde, Álvaro Magalhães e Teresa Rita Lopes. Recentemente,
juntámos ao repertório de autores portugueses, Gonçalo M.
Tavares.
O percurso estético, esse, foi sendo construído a par e passo,
clarificando-se espectáculo a espectáculo.
O Projecto do Pé de Vento, pensado para
privilegiar o público infanto-juvenil, pautou-se, desde o
início, pela fixação de critérios estéticos bem definidos e por
uma constante exigência de rigor e profissionalismo. A
identidade artística da Companhia resulta de opções
claras, decorrentes de uma concepção de teatro onde o texto tem
um papel fulcral. A valorização da palavra no espectáculo
teatral tem determinado uma escolha criteriosa dos textos com
vista ao aprofundamento do trabalho cénico da linguagem.
Muitos foram os textos encomendados a vários autores, tais como
Manuel António Pina, Álvaro Magalhães, Teresa Rita Lopes, cujos
textos, depois de encenados, foram editados. Essas edições
integram, hoje, o Plano Nacional de Leitura.
A criação de correntes de públicos regulares fez com que nos
empenhássemos na edificação de uma sala de espectáculos no
Porto, um dos últimos objectivos delineados quando da fundação
do Pé de Vento em 1978 – a instalação da Companhia de Teatro
numa sala de espectáculos própria.
Depois de ter estado sedeado em vários espaços da cidade do
Porto, em 1995 Pé de Vento celebrou, com a Junta de Freguesia de
Aldoar, um Protocolo de Cedência de Instalações, que lhe
permitiu abrir ao público, em 1996, o Teatro da Vilarinha.
Com a edificação do Teatro da Vilarinha, graças ao financiamento
do Ministério da Cultura, do Governo Civil e da Câmara Municipal
do Porto e da CCDRNorte, a companhia Pé de Vento não só
conseguiu manter as correntes de público que tinha anteriormente
atraído, como foi fidelizando novos públicos, tanto para os seus
espectáculos de teatro, como para os espectáculos de dança, de
música e de teatro apresentados por outros grupos, que recebe em
regime de acolhimento.
O facto de praticar este tipo de programação tem contribuído
para o necessário cruzamento das várias tendências de públicos,
assim como para a assiduidade e a frequência regular de uma boa
parte dos espectadores.
Desde então, Pé de Vento não só alcançou a estabilização das
suas correntes de públicos, como conseguiu ainda alargar a área
geográfica de influência do Teatro da Vilarinha para além da
Área Metropolitana do Porto.
O Teatro da Vilarinha constitui, assim, o instrumento
fundamental e imprescindível para o desenvolvimento da
actividade permanente da companhia.
A concretização desta actividade tem sido possível graças ao
empenho e ao profissionalismo de dezenas de criadores e de
técnicos que, ao longo de três décadas, integraram a companhia e
contribuíram para a afirmação do projecto estético e artístico
do Pé de Vento.
Nos 25 anos da companhia, comemorados em 2003, a
Câmara Municipal do Porto atribuiu ao Pé de Vento a
Medalha de Mérito – Grau Prata.